Testículo retrátil
Entre o susto dos pais e a fisiologia infantil:
O testículo retrátil é um achado comum em crianças, especialmente entre os 2 e 8 anos de idade. E embora o nome possa assustar, na maioria das vezes não se trata de uma doença, mas de uma variação do desenvolvimento normal.
O que é o testículo retrátil?
É quando um ou os dois testículos sobem temporariamente para a virilha, geralmente em resposta ao frio, ao toque ou a estímulos emocionais. O responsável por isso é o reflexo cremastérico, um mecanismo natural do corpo da criança para proteger os testículos.
Esse testículo não “desaparece”, apenas se movimenta para cima e volta para a bolsa escrotal sozinho quando a criança relaxa, se aquece ou muda de posição.
Quando é considerado normal?
Eu costumo tranquilizar os pais: o testículo retrátil é, em muitos casos, apenas uma fase. A bolsa escrotal ainda está se adaptando e os músculos ao redor reagem de forma mais ativa durante a infância.
Enquanto o testículo consegue ser palpado e volta espontaneamente para o escroto, a situação é geralmente benigna e não exige cirurgia. Mas requer acompanhamento com o uropediatra, pois há casos em que o testículo retrátil pode evoluir para testículo ascendido ou fora da bolsa, o que pode comprometer o desenvolvimento.
Quando se preocupar?
A atenção deve aumentar se:
- O testículo fica mais tempo fora da bolsa do que dentro;
- Há dificuldade para trazê-lo de volta manualmente;
- A criança reclama de dor ou desconforto;
- Percebe-se assimetria no escroto ou ele parece “vazio”;
- A situação persiste ou se agrava com o crescimento.
Nesses casos, pode ser necessário investigar se o testículo está mesmo retrátil ou se é um testículo não descido (criptorquidia) — uma condição que pode exigir tratamento cirúrgico.
O que acontece se não for acompanhado?
Se houver um diagnóstico incorreto ou o testículo realmente não estiver descido e for confundido com retrátil, há risco de impacto no desenvolvimento testicular, na fertilidade futura e, em casos raros, até aumento do risco de tumores.
Por isso, oriento os pais a não adiarem a avaliação. Um exame simples, feito em consultório, já é suficiente para acompanhar a evolução da condição com segurança.
Dúvidas frequentes sobre testículo retrátil:
1. É preciso operar?
Na maioria dos casos, não. Só se o testículo deixar de retornar para o escroto ou houver sinais de que ele está permanentemente fora da bolsa.
2. Pode afetar a fertilidade?
Somente se o testículo permanecer fora da bolsa por tempo prolongado e sem correção. O acompanhamento precoce evita esse risco.
3. O testículo retrátil dói?
Geralmente, não. Mas se houver dor, deve-se investigar, pois pode ser outro tipo de condição (como torção testicular ou hérnia inguinal).
4. Até que idade é normal?
A maioria dos casos se resolve até os 9 ou 10 anos de idade, mas o acompanhamento pode ser feito até a adolescência, se necessário.
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A Dra. Rhaiana é médica uropediatra, especializada no cuidado urinário e genital de crianças e adolescentes. Aqui, o atendimento é feito com carinho, paciência e atenção individualizada.
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