Hipospádia em bebês: por que a cirurgia é importante e quando realizá-la
Descobrir que o bebê nasceu com hipospádia pode gerar dúvidas e preocupações nos pais. Afinal, qualquer alteração no desenvolvimento do órgão genital chama atenção e pode levantar questões sobre a saúde, o desenvolvimento e o futuro da criança.
Mas antes de mais nada, é importante entender o que é a hipospádia, quais os impactos da condição e, principalmente, por que a cirurgia é fundamental e quando deve ser realizada.
O que é hipospádia?
A hipospádia é uma malformação congênita em que a abertura da uretra (meato uretral), por onde sai a urina, não está na ponta do pênis, como normalmente acontece. Ela pode estar localizada em diferentes pontos ao longo da parte inferior do órgão, como:
- Na base da glande (forma mais leve)
- No meio do corpo do pênis
- Próximo ao escroto (forma mais grave)
Além da abertura em local anormal, a hipospádia pode vir acompanhada de curvatura peniana (chamada de chordee) e prepúcio incompleto, o que torna ainda mais evidente a alteração.
A hipospádia interfere na vida do bebê?
Nos primeiros meses de vida, o impacto prático da hipospádia é pequeno, já que o bebê ainda está em fase de fraldas. No entanto, com o passar do tempo, a condição pode afetar significativamente a qualidade de vida da criança se não for tratada.
Sem a correção cirúrgica, o menino pode enfrentar:
- Dificuldade para urinar de pé
- Problemas na função sexual futura
- Desconforto emocional e questões de autoestima durante a adolescência
Por isso, o tratamento cirúrgico não é apenas estético. Ele é funcional e psicossocial.
Quando é o momento ideal para realizar a cirurgia?
A recomendação dos especialistas é que a correção cirúrgica da hipospádia seja feita entre os 6 e 18 meses de vida, com preferência por volta dos 12 meses. Nessa faixa etária, o bebê ainda não desenvolveu a percepção corporal que pode gerar traumas psicológicos, a recuperação é mais rápida e a cicatrização tende a ser melhor.
Além disso, quanto mais cedo a correção é realizada, menor a chance de a criança desenvolver comportamentos de vergonha, retração ou medo relacionados ao próprio corpo.
Como é feita a cirurgia?
O procedimento é realizado por um urologista pediátrico com experiência em reconstrução peniana infantil. A cirurgia tem como objetivos:
- Reposicionar a uretra no local correto
- Corrigir possíveis curvaturas
- Dar um aspecto funcional e estético ao pênis
Em muitos casos, é possível realizar toda a correção em um único procedimento. Já em formas mais graves, pode ser necessário dividir o tratamento em duas etapas.
A internação costuma ser curta, e o bebê geralmente recebe alta no dia seguinte. Após a cirurgia, o uso de um cateter por alguns dias pode ser indicado para garantir a cicatrização adequada.
E os cuidados no pós-operatório?
O pós-operatório requer atenção, mas é tranquilo quando bem orientado. Os principais cuidados envolvem:
- Higiene adequada da região
- Uso correto de medicamentos prescritos
- Acompanhamento médico para avaliar a cicatrização e o desenvolvimento
Os pais têm papel fundamental nesse período, seguindo todas as orientações e mantendo o retorno com o especialista.
A hipospádia tem cura?
Sim! Com o tratamento adequado, a hipospádia pode ser totalmente corrigida. O objetivo da cirurgia é restaurar tanto a função urinária quanto o aspecto estético, proporcionando à criança um desenvolvimento saudável e sem limitações futuras.
A hipospádia é uma condição que, embora comum, exige atenção. A cirurgia é o tratamento padrão e deve ser realizada no tempo certo para garantir os melhores resultados. Se o seu bebê recebeu esse diagnóstico, procure um urologista pediátrico de confiança, tire todas as suas dúvidas e siga com segurança o caminho do cuidado.