Desfralde

Saber esperar o tempo do seu filho é tão importante quanto ensinar!

O momento de tirar a fralda costuma vir acompanhado de dúvidas, expectativas e até uma certa ansiedade. Afinal, quando é a hora certa? Existe uma idade ideal? E se a criança não quiser colaborar?

Calma: o desfralde não precisa ser um campo de batalha. Com orientação, paciência e o tempo certo, ele pode ser uma transição natural e tranquila para todos.

Existe uma idade ideal para o desfralde?

Não existe uma única idade certa. Em geral, a maioria das crianças começa o desfralde entre 2 e 3 anos, mas esse tempo pode variar muito de acordo com cada criança.

Algumas estão prontas um pouco antes; outras precisam de mais tempo. O mais importante é respeitar o ritmo individual, sem comparações ou pressa.

Quais sinais indicam que a criança está pronta?

O sucesso do desfralde tem muito mais a ver com prontidão do que com idade. Veja alguns sinais que mostram que a criança pode estar preparada:

  • Fica com a fralda seca por mais de 2 horas seguidas;
  • Percebe que está urinando ou evacuando e avisa;
  • Se incomoda com a fralda suja e pede para trocar;
  • Consegue sentar e levantar sozinha do penico ou vaso;
  • Demonstra interesse em usar o banheiro ou imita os adultos;
  • Segue comandos simples e consegue esperar um pouco.

Se a maioria desses sinais estiver presente, é um bom momento para começar, sempre com calma e incentivo.

O que é mais importante nessa fase?

  • Respeito ao tempo da criança: forçar o desfralde antes da hora pode gerar frustração, insegurança e até retrocessos.
  • Rotina leve e sem pressão: oferecer o penico ou levar ao banheiro em horários estratégicos (após as refeições, antes do banho ou de dormir) pode ajudar.
  • Reforço positivo: elogiar as tentativas, mesmo quando o xixi ou cocô não acontece, fortalece a confiança da criança.
  • Evitar punições ou broncas: escapes são parte do processo e não devem ser motivo de castigo.
  • Foco no exemplo: pais e irmãos mais velhos servem de modelo e tornam o uso do banheiro algo natural.

E o desfralde noturno?

O controle noturno vem depois do controle diurno, e não tem problema nenhum nisso. O corpo precisa de tempo para maturar o mecanismo que controla a produção de urina durante o sono.

Muitas crianças continuam usando fralda à noite por meses (ou até anos) após já estarem sem fralda durante o dia. Isso é normal e esperado.
Só se considera enurese noturna (fazer xixi na cama) quando a criança tem mais de 5 anos e o escape acontece com frequência. Antes disso, é apenas parte do desenvolvimento.

Pode ter retrocesso?

Sim, e é mais comum do que parece. Situações como mudança de escola, nascimento de um irmão, separação dos pais ou até mesmo infecções urinárias podem levar a regressões temporárias no desfralde.

Nesses momentos, o mais importante é manter a paciência e o acolhimento. A criança precisa se sentir segura, e saber que está tudo bem “errar” às vezes.

Quando é preciso procurar ajuda?

É recomendado conversar com uma especialista quando:

  • A criança tem mais de 4 anos e ainda não controla o xixi ou cocô durante o dia;
  • Há resistência intensa ou sofrimento com o processo de desfralde;
  • A criança apresenta dor para urinar, escapes frequentes ou prisão de ventre;
  • Os episódios de “xixi na roupa” se tornaram muito recorrentes depois de meses de controle já adquirido;
  • Há sinais de que a criança está se sentindo muito envergonhada, retraída ou ansiosa.

Nesses casos, a avaliação com a uropediatra ajuda a identificar possíveis causas clínicas, emocionais ou comportamentais, e evita intervenções inadequadas.

E se a criança segura o cocô por medo?

Isso acontece com frequência. Algumas crianças passam a segurar as fezes por medo do vaso, dor ao evacuar ou vergonha, o que pode levar à prisão de ventre e aumentar o desconforto.

Orientações simples, como adaptar o banheiro (redutor de assento, apoio para os pés), incentivar uma alimentação rica em fibras e respeitar o tempo da criança, fazem toda a diferença.

Se o quadro persistir, a ajuda médica é fundamental para evitar complicações como fissuras, medo crônico de evacuar e até encoprese (eliminação involuntária de fezes).