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Xixi na cama depois dos 5 anos: quando buscar ajuda médica?

Recebo com frequência pais e mães aflitos porque seus filhos ainda fazem xixi na cama mesmo depois dos 5 anos. E quero começar dizendo: você não está sozinho nessa. A enurese noturna, como chamamos esse quadro, é mais comum do que se imagina, e tem solução.

Se esse é o seu caso, te convido a continuar lendo. Aqui, explico quando esse comportamento deixa de ser apenas uma fase do desenvolvimento e passa a exigir atenção médica. Meu objetivo é te ajudar a entender melhor o que está acontecendo e quando é hora de buscar ajuda.


Até quando é normal?

A maioria das crianças para de fazer xixi na cama por volta dos 4 ou 5 anos. Mas algumas demoram um pouco mais, e, em muitos casos, isso ainda pode ser considerado normal.

O que me chama atenção no consultório é quando esse comportamento persiste após os 5 anos de idade, com episódios frequentes, e sem sinais de melhora. Nesses casos, já vale a pena fazer uma avaliação.


Por que isso acontece?

Existem várias causas possíveis, e cada criança precisa ser avaliada individualmente. Entre os motivos que costumo observar com mais frequência estão:

  • Maturação mais lenta do sistema que controla a micção
  • Produção insuficiente de hormônio antidiurético durante a noite
  • Sono profundo demais, que impede a criança de perceber a bexiga cheia
  • Fatores emocionais, como mudanças na rotina ou estresse
  • Constipação intestinal (prisão de ventre)
  • Infecções urinárias ou alterações anatômicas

Por isso, cada caso merece uma escuta atenta e um olhar cuidadoso.


Quando te recomendo buscar ajuda médica?

Se a criança já tem mais de 5 anos e ainda faz xixi na cama com frequência (mais de duas vezes por semana), eu recomendo fortemente uma consulta. Fique ainda mais atento se você notar:

  • Dificuldade de segurar o xixi durante o dia
  • Dor para urinar ou infecções recorrentes
  • Rejeição para dormir fora de casa por medo ou vergonha
  • Baixa autoestima ou alterações no comportamento
  • Histórico familiar de enurese

Quanto antes começarmos a investigar, melhor será a resposta ao tratamento, e mais rápido virá o alívio para toda a família.


Como é feita a avaliação?

Na consulta, converso com os pais e com a criança, avalio o histórico completo, os hábitos de sono, alimentação, funcionamento intestinal e frequência urinária. Em alguns casos, peço exames complementares como:

  • Ultrassonografia das vias urinárias
  • Exame de urina
  • Estudo do funcionamento da bexiga

Com essas informações, consigo montar um plano de cuidado personalizado, sempre respeitando o tempo e as necessidades da criança.


E o tratamento?

Sim, tem tratamento. E, na imensa maioria dos casos, tem cura.

Às vezes, só com orientações comportamentais e mudanças simples na rotina já conseguimos ótimos resultados. Em outros casos, usamos recursos como alarmes noturnos, medicamentos específicos e até apoio psicológico, quando necessário.

O mais importante é que você saiba que isso não é culpa da criança. Punições e broncas só atrapalham. O que ela precisa é de acolhimento, apoio e, quando indicado, ajuda profissional.

Molhar a cama não é frescura, não é preguiça e muito menos falta de educação. É um sinal de que o corpo ainda está amadurecendo, e que talvez esteja precisando de uma ajuda extra.

Se seu filho ou filha está passando por isso, não hesite em marcar uma consulta. Quanto antes começarmos, mais leve será o processo para todos. Estou aqui para ajudar